Biblioteca móvel e compartilhada nos táxis

Uma boa ideia surge quando e de onde menos se espera, e não raro brota em momentos de dificuldade. Foi o que aconteceu com o publicitário mineiro Tallis Gomes, criador do aplicativo “Easy Taxi”, serviço personalizado de táxi que começou operar em Natal há pouco mais de cinco meses e que há uma semana passou a oferecer um ‘plus’ aos passageiros: a ‘bibliotaxi’. Ou seja, além da possibilidade de chamar um táxi com um clique no telefone e sem a necessidade de intermediários, utilizando o sistema de georeferenciamento dos aparelhos, o trajeto ganha um significado literário. Criado no início de 2012 no Rio de Janeiro, o serviço é gratuito no Brasil e já está em 17 países até o momento.

Por enquanto, dos cerca de 300 taxistas cadastrados em Natal, cerca de 15% já aderiram ao serviço de biblioteca a bordo. “O passageiro pode descer do táxi com o livro, se quiser devolver depois para outro taxista credenciado também. Queremos é que as pessoas leiam, pois livro não vai faltar para abastecer os veículos”, acredita Tallis Gomes, 25, que conversou por telefone com a reportagem do VIVER. A meta do empresário é que em poucos meses a ‘bibliotaxi’ esteja presente em 90%, “ou 100%, da frota credenciada.

Como a biblioteca móvel ainda está na fase inicial de implantação aqui em Natal, o taxista Waldecio Guedes Barreto resolveu disponibilizar acervo virtual para seus clientes enquanto os livros impressos não chegam. “O mais interessante dessa proposta é a interação que temos com os clientes. O atendimento fica personalizado e ainda podemos criar clientela”, comemora. Ele informou ter sido simples entrar na rede: “Tive apenas que comprar um smartphone para estar conectado”, garante. No momento Waldecio tem apenas livros técnicos disponíveis no acervo do banco traseiro do carro.

Rede social física

Tallis Gomes teve a ideia de criar o aplicativo em uma noite chuvosa, quando precisou tomar um táxi no Rio e não conseguiu chamar pelo telefone. “Tive que ir para a rua debaixo de chuva procurar um taxi, e aí veio o ‘insight’: por que não utilizar o sistema de georeferenciamento já existente nos telefones, conectar tudo isso e facilitar as coisas?” Deu certo: hoje o “Easy Taxi” tem 2,5 milhões de usuários e 90 mil táxis cadastrados em todo o mundo, em mais de 60 cidades – destas, 27 são no Brasil.

Gomes contou que a proposta da “bibliotaxi” ganhou forma após contato do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein. O colunista da Folha de SP e idealizador do site Catraca Livre, que agrupa novidades culturais gratuitas da cidade de São Paulo e outras cidades, já havia pensado e tentado por em prática um projeto semelhante. “O Gilberto tinha a ideia, mas não sabia como criar essa rede de táxis, então fez a sugestão e incorporei na hora! Ele disse que disse que é a primeira rede social física de livros”, recorda Tallis.

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